Diante do quadro social constrangedor - pobreza, miséria, abandono, ignorância, desinformação, exploração do trabalho - e suas conseqüências - violência, criminalidade, angústia geral e frustrações a rodo - onde saltam aos olhos os direitos constitucionais violados, num Estado criminoso que não cumpre sua "lei máxima", direitos respeitados são uma responsabilidade social. E privilégios são uma obrigação moral de serviço coletivo.
Ostentações de luxos e privilégios são demonstrações de pobreza de espírito, de indiferença com o sofrimento de milhões, de conivência e cumplicidade com os crimes de Estado cometidos contra a população por uma estrutura social empresarista e desumana. Entre as minorias privilegiadas há uma dificuldade imensa em enxergar a realidade como ela é. O privilégio depende de direitos roubados, ou não haveria serviçais e a massa indispensável de trabalhadores braçais. O olhar da conveniência naturaliza as injustiças e as justifica.
Os privilegiados conscientes - ou que têm a intuição - da sua própria perversidade se levantam em fúria contra a simples menção de injustiças sociais. Lançam insultos, acusações e afirmações falsas nas quais precisam acreditar, no apego aos privilégios. E servem de obstáculo ao caminhar coletivo em direção a uma sociedade menos injusta, mas igualitária, menos perversa e mais solidária, em direção à harmonia social que o desenvolvimento científico e tecnológico já permitem há tempos, faltando apenas o desenvolvimento humano, moral, social e espiritual pra isso.

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